É uma artista híbrida, transatlântica, que gosta de navegar entre o realismo fantástico e o ser cenógrafa, aderecista, artista visual, encenadora e atriz. Desenvolve uma prática que atravessa imagem, espaço e presença. A sua investigação parte de imagens — ícones, símbolos, fragmentos — enquanto territórios iniciais de criação. É a partir daí que emergem premissas que orientam a construção do espaço, a escolha da materialidade cénica, a dramaturgia e a performance.
Licenciada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília (2022), a sua formação inclui encontros com o Odin Teatret, o Teatro O Bando, o Teatro Nacional Dona Maria II, bem como um percurso no atelier de cenografia e arquitetura Hora do Lobo. Entre 2019 e 2021 integrou o Teatro O Bando como diretora de montagem, mantendo desde então uma colaboração enquanto diretora de montagem, cenógrafa, intérprete e cooperante. É membro da Associação Portuguesa de Cenografia (APCEN). Atualmente atua como trabalhadora independente colaborando com diversas companhias e artistas.
O seu trabalho constrói-se em processos colaborativos, onde a cena se afirma como lugar de encontro, tensão e transformação. Move-se entre a cenografia, a performance, a escultura e o desenho, explorando a matéria como agente dramatúrgico e o espaço como corpo expandido. Corpo político, sempre politico. Perspectivas decoloniais e existencia poética. Tragicomicidade como motor de resistência. A sátira, o riso, fazer de si carne viva, debochar de si mesmo. Deboche latino americano. Deboche e brincadeira como matriz criativa. O teatro se faz no desconforto, na exposição interna urgente, na tensão.
É fundadora do Grupo CRU e integra a direção artística do Coletivo Galatéia, plataformas de experimentação onde desenvolve uma prática simultaneamente autoral e coletiva. Colabora regularmente com companhias, coletivos e artistas independentes entre Lisboa, Almada e Setúbal, tendo apresentado trabalhos em diversas cidades, incluindo Porto, Guimarães e Maputo.
Entre os seus trabalhos destacam-se Primeiro Ensaio (Grupo Cru, 2021), distinguido com o Prémio de Melhor Espetáculo (+OFF) no Festival Internacional de Teatro de Setúbal, Proibido Virar à Esquerda (Grupo Cru, 2022), Mãos das Águias (Galatéia, 2022), A.Norm@L (Teatro Extremo, 2023), Marcha de Todos (Festival Todos e Galatéia, 2024) e Olá Futuro (Galatéia, 2025), assumindo diferentes posições.