Imaginem um grupo de gente que caminha. Ao longe.
Atravessam o tudo e o nada à nossa frente. Aqueles pés dançam?
Imaginem que aquela gente continua a caminhar. Já caminhavam antes de nós. Antes deste tempo já ocuparam os seus lugares noutras caravanas, noutros êxodos. Aqueles pés não se cansam?
Imaginem que aquela gente, aquelas personagens, se aproximam e que ouvimos a palavra Europa. Que nos olham nos olhos. Será que, se aqueles pés derem mais um passo, entram dentro de nós? Esperam chegar ao mar e caminham na nossa direcção.
Esperam chegar ao mar para o atravessarem, mas o que se vê ao longe são restos de tendas e remos: antes da ficção, sentamo-nos ao ar livre em Vale dos Barris, é Verão e podemos assistir com todas as distâncias de segurança, a um espectáculo do Bando; estamos em segurança e temos auscultadores para podermos escutar essas conversas que se desenrolam ao longe, na distância.


















