Foi há tanto tempo. Era o mês de abril. De repente as ruas encheram-se de danças e conções, havia soldados por todo o lado, mas dos canos das suas espingardas saíam cravos como chamas de libredade, brotavam risos de magotes de pessoas que pareciam correr para o sol e só paravam para se beijarem umas às outras como se o beijo fosse uma bênção universal que tivesse de passar de boca em boca.
Memórias de uma Tia Tonta, Natália Correia
liberaLinda celebra 50 anos de existência de um grupo que nasce sob a égide de um Abril há muito desejado e sonhado e pelo qual tantas e tantos lutam. Em cinco décadas de democracia o Teatro O Bando não parou de pensar Abril e foram muitos os espetáculos, as personagens e as cenografias que procuraram questionar, estética e politicamente, o percurso da palavra liberdade e os trilhos da democracia.
liberaLinda é um conjunto diverso de ações que recupera alguns destes momentos e os redesenha numa nova abordagem onde o Teatro é protagonista numa salutar convivência com a Música, o Cinema, a Escultura e a Instalação.
A partir das palavras de Natália Correia, queremos procurar Abril em territórios fora do palco mais expectável: ao ar livre suspendemos figurinos, num foyer do Teatro, de uma escola ou de um Museu assistimos a um documentário ou mergulhamos num vitral penetrável, sempre guiados pela música de um Xilofone real e utópico e de 3 personagens que também são guias de um cortejo teatral.
Assim convidamos o público a vivenciar um ideal de liberdade que ainda hoje - ou hoje mais do que nunca - procuramos.


















